Energisa MT – Regulador de Tensão de Redes Secundárias

Método Ágil Para Melhoria do Nível de Tensão Com Redução de Custos e Compulsórios na Energisa Mato Grosso

Com a evolução de tecnologias o mundo fica cada vez mais rápido, exigindo das distribuidoras respostas ágeis e eficazes na entrega de soluções aos nossos clientes.

O resultado alcançado com este projeto permitiu implementar uma solução ágil que está contribuindo para a redução do backlog de obras reguladas de nível de tensão, permitiu a redução de resíduos, mostra-se com menor custo de instalação, maior flexibilidade na programação e melhoria no nível de tensão para os clientes.

1. Introdução
As distribuidoras de energia elétrica tem como dever manter a qualidade no fornecimento de energia e atendendo aos requisitos do Modulo 8 do Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional (PRODIST).

É um grande desafio para as áreas de planejamento e execução da Energisa Mato Grosso manter todas as localidades dentro dos limites estabelecidos de qualidade, quando a taxa de crescimento de rede foi de 40% nos últimos 2 anos.

Este cenário de crescimento de redes e o aumento de 64% no número de reclamações de nível de tensão em relação a 2016 nos motivou a buscar uma solução ágil e eficaz para atender nossos clientes. Além disso, a quantidade e valor das compensações são significativos em todas as empresas do Grupo Energia e em todas as regiões do país.

 Tabela 01: Quantidade e valores das compensações do Grupo Energisa 2016 e 2017


Tabela 01: Quantidade e valores das compensações do Grupo Energisa 2016 e 2017

2. Desenvolvimento

1. Projeto Piloto
Dentre os pontos identificados com violação de nível de tensão, foi escolhido o transformador ME57128336 do alimentador 217002, localizado na interior do estado a 150 (km) de Cuiabá-MT, que estava fornecendo tensão abaixo do mínimo necessário, mesmo estando em último nível de tap. Este circuito, referente ao transformador de 45 KVA trifásico ME57128336, apresentou 10 violações de nível de tensão em uma semana, fazendo com que a Energisa MT pagasse BRL 4.400,00 a 12 clientes.

Como solução para este caso foi discutido com a equipe 3 opções possíveis:

Tabela 02: Prós e Contras das opções de solução levantadas pela EMT

Tabela 02: Prós e Contras das opções de solução levantadas pela EMT

Verificou-se que a opção 3 seria uma alternativa viável, pois além de ser a mais barata diretamente, aumentaria a agilidade na solução do problema identificado.

2. Teste de funcionalidade

O teste de funcionalidade do equipamento consistiu em realizar medições dos níveis de tensão em um ponto anterior e posterior ao Regulador de Tensão de Redes Secundárias (RTRS), comprovando a sua eficácia. Com intuito de aquisição de melhor conhecimento dos níveis de tensão do trecho em testes, foram instalados 4 pontos de medições, 01, 02, 03 e 04:

1. Na bucha do transformador;
2. Ponto localizado imediatamente antes do RTRS;
3. Ponto localizado imediatamente depois do RTRS;
4. Ponto final da rede após RTRS (450 m após o transformador de distribuição).

As medições foram realizadas durante 7 dias seguidos, capturando amostras de tensões a cada 2,5 horas.

Para melhor entendimento, as localizações do transformador ME57128336 e do ponto de instalação do RTRS são mostradas na Figura 01.

Figura 01: Localização do transformador e do ponto de instalação do RTRS

Figura 01: Localização do transformador e do ponto de instalação do RTRS

A Figura 02 mostra o RTRS instalado em campo na EMT.

Figura 02: RTRS instalado na EMT

Figura 02: RTRS instalado na EMT

3. Eficacia do Equipamento
Para avaliação direta da eficácia do equipamento, as medições 02 e 03, antes e depois do RTRS, respectivamente, foram comparadas de modo a identificar se o equipamento estava realizando a correção do nível de tensão de forma adequada.

Na medição 02 – Antes do RTRS, verificou-se 10 registros inferiores a 117 (V) e 2 registros acima de 133 (V). Na medição 03 – Após RTRS, verificou-se apenas 1 violação por nível de tensão acima de 133 (V).

Além disso, percebeu-se uma atenuação nas variações de tensão e significativa melhora nas tensões médias,corrigindo as fases A e B que apresentavam violação por sub tensão e também a fase C que apresentava não conformidade por sobre tensão.

Para verificação da variação de tensão foi comparado os resultados dos 4 pontos de medição por fase e foi perceptível que os níveis de tensão na Medição 02 – Antes do RTRS que está localizado a 250 metros do transformador, são piores que os da Medição 04 – Final da Rede após RTRS que está localizado a 450 metros do transformador.

4. Ganhos de Produtividade

Quando identificado uma violação por nível de tensão, o procedimento das empresas do Grupo Energisa seguem ofluxo:

1. Registro da compensação financeira
2. Ações de melhorias
a. Verificação conexões;
b. Verificação Emendas;
c. Substituição de ramal;
d. Mudança de tap do transformador e. Mudança de fase;
3. Estudos para obra
a. Substituição de transformador; b. Recondutoramento;
c. Divisão de área

Em todas as distribuidoras do país as obras de nível de tensão demandam maior esforço na execução em relação a obras de construção de rede. Isso se deve a característica deste tipo de obra por necessidade de lidar com: ramais de serviço, iluminação pública, redes de operadoras e trânsito local. Em média, as obras de nível de tensão necessitam de 2 (duas) vezes mais equipes para realizar o mesmo valor total de obra, em relação a obras de construção de rede.

Na Energisa MT, as obras relacionadas à nível de tensão duram em média 139 dias, desde a elaboração do projeto a execução necessitando de equipe pesada com no mínimo 5 colaboradores.

Em contrapartida, o tempo de instalação do RTRS é de 1 hora necessitando de uma equipe leve com 2 colaboradores.

5. Analise Econômica

Tabela 3: Viabilidade financeira para o uso do RTRS no Circuito ME57128336

Tabela 3: Viabilidade financeira para o uso do RTRS no Circuito ME57128336

Se a EMT tivesse realizado o uso do RTRS no momento da identificação da violação, haveria economizado R$ 4.400 de compensação paga aos clientes. Além disso, com a instalação do RTRS a empresa pode evitar o desembolso compulsório de R$ 19.620 para solucionar este caso com maior rapidez.

Observações importantes:

– Quanto mais tempo se leva para execução de uma obra, mais meses de compensações são contabilizados, além da redução da satisfação do cliente;
– A execução de uma obra é priorizada pelo valor da compensação, podendo haver obras na fila com valor de compensação baixa que é tão antigo que o acumulado de compensação paga já viabilizaria custear uma solução.

Somente em 2018 a EMT tem o desafio de executar 421 milhões de reais em obras que concorrem diretamente com as execuções de nível de tensão e que sofrem impacto direto na programação de empreiteiras, fornecimento de materiais, limite de Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) e Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC) programado.

6. Projeções e próximos passos
Após análises e testes técnicos e verificação do ganho a EMT realizou o processo de homologação do equipamento no grupo e está inserindo no seu plano orçamentário para 2019.

De modo a colaborar com a disseminação da prática para todas as distribuidoras do país, abaixo são apreentados 2 cenários que se adequam a demanda de pequenas e grandes distribuidoras.

Cenários de aplicação
Instalação de RTRS como alternativa a obras convencionais, priorizando potencial de compensação em baixa tensão maior que 500 reais. Verifica-se que com essa aplicação é possível reduzir o desembolso compulsório e compensação paga a clientes.

Tabela 4: Cenário de Instalação definitiva

Tabela 4: Cenário de Instalação definitiva

Cenário para aplicação do RTRS de forma temporária, impedindo a quebra do planejamento de obras sem deixar de atender o cliente. Esta cenário visa além da maior agilidade um ganho financeiro e redução de OPEX.

 Tabela 5: Cenário de Instalação provisória


Tabela 5: Cenário de Instalação provisória

3. Conclusões
O projeto obteve sucesso técnico e financeiro. É nítido que o uso do RTRS gera ganhos tanto para o cliente que recebe energia com qualidade, quanto para todas as distribuidoras do país que através do uso desta tecnologia ganha agilidade e eficácia no atendimento, evita penalizações por violação de tensão e reduz o passivo de execução de obras, ganhando a oportunidade de melhor aproveitamento da força de trabalho de campo.

Com um cenário de clientes cada vez mais exigentes, níveis de qualidade cada vez mais rigorosos e o volume de recurso envolvido nesse processo em todas as distribuidoras do país, com a a o processo de aplicação do RTRS aqui descrito, abrem-se novas oportunidades de atendimento para clientes urbanos e também para clientes rurais, com alto ou baixo consumo e em qualquer localidade do país.

4. Referências bibliográficas
AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Resolução normativa n° 414. Disponível em:
.

AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Procedimentos de distribuição de energia elétrica no sistema elétrico nacional : PRODIST : modulo 8. Brasília, DF: ANEEL, 2016.

REDE DE TECNOLOGIA AVANÇADA. Regulador de tensão de baixa tensão. Disponível em: . Acesso em: 26/03/2018.

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